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CBP
Guia

Como a CBP afeta os ossos, o colesterol e o fígado?

A colangite biliar primária (CBP) é uma doença hepática autoimune crônica que provoca inflamação e destruição progressiva dos pequenos ductos biliares do fígado. Quando não é adequadamente acompanhada, a condição pode levar a complicações que vão além do comprometimento hepático, afetando a saúde óssea, o metabolismo e a qualidade de vida.

Considerada uma doença rara, a CBP afeta principalmente mulheres acima dos 40 anos. No Brasil, estima-se que existam mais de 10 mil pessoas convivendo com a condição, sendo aproximadamente 78% do sexo feminino.1,2

Muitas pessoas convivem com a CBP durante anos sem sintomas evidentes ou com manifestações inespecíficas. Essa evolução silenciosa pode atrasar o diagnóstico e permitir que o dano hepático progrida antes da identificação da doença. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são fundamentais para identificar essas alterações e reduzir o risco de progressão da doença.

Além das alterações hepáticas e metabólicas, a fadiga é um dos sintomas mais marcantes da CBP e um dos principais responsáveis pela redução da qualidade de vida dos pacientes. Presente em até 80% dos casos3 , ela vai muito além do cansaço habitual, manifestando-se como uma sensação persistente de exaustão física e mental que não melhora completamente com descanso.

A fadiga pode dificultar tarefas simples do dia a dia, afetar a concentração, reduzir a produtividade no trabalho e impactar as relações sociais e emocionais. Por isso, seu reconhecimento e manejo adequado são considerados parte fundamental do cuidado integral das pessoas que convivem com a doença.

Alterações na saúde óssea

Entre as complicações mais frequentes da CBP está a redução da densidade mineral óssea. A inflamação crônica, associada a redução da absorção de vitamina D decorrente da colestase são fatores que contribuem para o enfraquecimento ósseo observado em parte dos pacientes com CBP.4

Esse enfraquecimento dos ossos pode ocorrer de forma silenciosa durante anos, sem causar sintomas perceptíveis. Por esse motivo, a avaliação periódica da densidade óssea faz parte do acompanhamento clínico de muitos pacientes com CBP.

Quando necessário, a suplementação de cálcio e vitamina D é recomendada para ajudar na manutenção da massa óssea e na prevenção da osteoporose. Além disso, hábitos como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e exposição solar adequada também contribuem para a saúde dos ossos.

Aumento do colesterol

Outra alteração frequentemente observada em pessoas com CBP é o aumento dos níveis de colesterol no sangue. Isso acontece porque a redução do fluxo normal da bile e o processo inflamatório interferem diretamente no metabolismo das gorduras e do colesterol.5

Embora o colesterol elevado seja um achado comum, sua interpretação deve ser individualizada pelo médico, já que os mecanismos envolvidos na CBP diferem daqueles observados na população geral.

O monitoramento laboratorial periódico permite avaliar a necessidade de intervenções específicas e acompanhar a evolução dessa alteração ao longo do tratamento.

Deficiência de vitaminas essenciais

A bile desempenha um papel importante na absorção das vitaminas lipossolúveis, aquelas que dependem da gordura para serem absorvidas pelo organismo. Quando o fluxo biliar está comprometido, podem surgir deficiências nutricionais que afetam diferentes sistemas do corpo.

Além da vitamina D, fundamental para a saúde óssea, os níveis de vitaminas A, E e K também podem ser impactados. Essas substâncias participam de funções importantes, como visão, imunidade, proteção celular e coagulação sanguínea.

Por isso, o acompanhamento nutricional e laboratorial é uma etapa importante do cuidado integral da CBP, especialmente nos estágios mais avançados da doença.

Complicações hepáticas nos estágios avançados

Quando a inflamação permanece ativa por muitos anos, pode ocorrer formação progressiva de cicatrizes no fígado, processo conhecido como fibrose. Em situações mais avançadas, a doença pode evoluir para cirrose e insuficiência hepática.

Nessa fase, podem surgir complicações graves, como acúmulo de líquido no abdômen, sangramentos digestivos, alterações neurológicas relacionadas à função hepática e maior risco de câncer de fígado associado à cirrose.

Além disso, alguns pacientes desenvolvem episódios de prurido intenso e persistente, um sintoma que pode comprometer significativamente o sono, o bem-estar emocional e as atividades do dia a dia.6

Em casos específicos, quando o fígado perde sua capacidade de funcionamento adequado, o transplante hepático pode se tornar a principal opção terapêutica.

A importância do acompanhamento contínuo

A CBP é uma condição que exige atenção além do fígado. O cuidado adequado inclui o monitoramento da saúde óssea, dos níveis de colesterol, do estado nutricional e da função hepática ao longo de toda a evolução da doença.

Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar, a maioria das pessoas consegue controlar a progressão da enfermidade e preservar sua qualidade de vida por muitos anos.

Se você convive com a colangite biliar primária, converse regularmente com seu especialista sobre sua saúde óssea, seus níveis de colesterol e possíveis deficiências vitamínicas. Identificar essas alterações precocemente é uma das melhores estratégias para prevenir complicações futuras e manter sua autonomia ao longo do tempo.

  1. Lv T, Chen S, Li M, Zhang D, Kong Y, Jia J. Regional variation and temporal trend of primary biliary cholangitis
    epidemiology: a systematic review and meta-analysis. J Gastroenterol Hepatol 2021; 36: 1423–34 ↩︎
  2. 7 Colapietro F, Bertazzoni A, Lleo A. Contemporary epidemiology of primary biliary cholangitis. Clin Liver Dis
    2022; 26: 555–70. ↩︎
  3. Khanna A, et al. Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2026;34–35:71–86 ↩︎
  4. Danford CJ, Trivedi HD, Papamichael K, Tapper EB, Bonder A. Osteoporosis in primary biliary cholangitis.
    World J Gastroenterol. 2018 Aug 21;24(31):3513-3520. doi: 10.3748/wjg.v24.i31.3513. PMID: 30131657; PMCID:
    PMC6102495. ↩︎
  5. Wah-Suarez MI, Danford CJ, Patwardhan VR, Jiang ZG, Bonder A. Hyperlipidaemia in primary biliary
    cholangitis: treatment, safety and efficacy. Frontline Gastroenterol. 2019 Oct;10(4):401-408. doi:
    10.1136/flgastro-2018-101124. Epub 2019 Jan 9. PMID: 31656566; PMCID: PMC6788128. ↩︎
  6. Hegade VS, Mells GF, Fisher H, et al. Pruritus is common and undertreated in patients with primary biliary
    cholangitis in the United Kingdom. Clin Gastroenterol Hepatol 2019; 17: 1379–87. ↩︎

ALLSC-BR-000960 – Jun/26

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