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CBP Artigo

CBP: a importância do diagnóstico precoce e o cuidado adequado

A colangite biliar primária (CBP) é uma doença do fígado rara, autoimune, crônica e progressiva, em que o sistema de defesa do corpo ataca os pequenos canais que conduzem a bile dentro do fígado. Com o tempo, esses canais acabam sendo destruídos, podendo causar a diminuição ou interrupção do fluxo de bile do fígado para o intestino (colestase), inflamação hepática e fibrose. O diagnóstico precoce e o cuidado adequado são fundamentais para evitarmos complicações mais graves como cirrose ou necessidade de transplante de fígado.

Os sintomas da CBP muitas vezes são inespecíficos, confundidos com outras condições como a menopausa, depressão, alergias e muitas vezes predominam os sintomas de doenças reumatológicas associadas, como olhos e boca secos, o que dificulta o diagnóstico de uma doença hepática.1

Como surge a suspeita e a confirmação?

Geralmente, a suspeita da CBP surge após exames de rotina que revelam alterações nas enzimas hepáticas, especificamente a fosfatase alcalina e a Gama GT, atuando como uma triagem inicial. Estima-se que 50% dos casos sejam diagnosticados nessa fase, antes mesmo de manifestações físicas evidentes.

Para confirmar o diagnóstico, os critérios são bem estabelecidos. Eles incluem alterações laboratoriais como o aumento das enzimas hepáticas associadas à colestase e a presença de marcadores específicos no sangue, como o anticorpo antimitocôndria e/ou alguns padrões de anticorpos antinúcleo. Em alguns casos específicos, a realização de uma biópsia hepática pode ser necessária para a confirmação do quadro.

Cuidado adequado

A CBP não tem cura, contudo, existem medicamentos que ajudam a controlar a doença, incluindo sintomas como prurido e fadiga, retardar a progressão dos danos no fígado, aumentando a sobrevida de quem convive com a doença. Atualmente, o Brasil já conta com uma terapia específica, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), capaz de garantir mais qualidade de vida.

Além do tratamento farmacológico, o cuidado adequado da doença compreende uma abordagem multidisciplinar que envolve, hepatologistas e reumatologistas, por exemplo, uma especialidade médica importante devido à associação com outras condições autoimunes.

Da mesma forma, o suporte de dermatologistas, psicólogos e psiquiatras torna-se essencial devido à ocorrência do prurido. Essa coceira intensa pode ser de difícil manejo em 5% a 10% dos casos, gerando um impacto considerável para a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

Atenção às complicações e estágios avançados

Entre as complicações mais comuns da evolução da patologia está o aumento do colesterol e a diminuição da densidade óssea. Esse desgaste frequentemente requer a suplementação de cálcio e vitamina D para a prevenção da osteoporose. Também pode haver déficits de outras vitaminas lipossolúveis essenciais, tais como as vitaminas A, D, E e K.

Nos cenários em que a doença progride para estágios avançados, o transplante hepático passa a ser a abordagem recomendada. Essa intervenção é indicada em casos de cirrose descompensada, prurido intratável ou quando há o surgimento de câncer de fígado associado à cirrose.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é crucial para o manejo eficaz da enfermidade. O tratamento clínico se mostra significativamente mais eficiente quando é iniciado antes da perda expressiva dos ductos biliares e da ocorrência de fibrose hepática.

Investigar os sintomas sem demora e manter uma rotina de exames preventiva é o caminho mais seguro para proteger o órgão e garantir um futuro com autonomia. Tratar a doença é essencial, uma vez que sem o cuidado adequado, a CBP pode evoluir para cirrose, doença hepática terminal e morte.

  1. AMERICAN LIVER FOUNDATION. Colangite Biliar Primária (PBC). Disponível em:
    https://liverfoundation.org/pt/doen%C3%A7as-do-f%C3%ADgado/doen%C3%A7as-hep%C3%A1ticas-
    autoimunes/colangite-biliar-prim%C3%A1ria-pbc/. Acesso em: 2 set. 2024. ↩︎

ALLSC-BR-000950 – Jun/26

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